A outorga de poço artesiano é a autorização do órgão estadual de águas para usar a água subterrânea. Para fazer, o titular protocola o pedido no órgão do estado, anexa os documentos e acompanha as exigências até a decisão. Poço é sempre outorga do estado.
Quem monta esse processo no dia a dia é o dono de empresa de perfuração, o geólogo ou a consultoria. As regras mudam de estado para estado, então a confirmação final é sempre com o órgão de onde o poço está.
O que é a outorga de direito de uso de água subterrânea
A outorga de direito de uso de água subterrânea é o documento que diz quanto, para quê e em quais condições aquele poço pode ser explorado. Ela não dá a propriedade da água. Dá o direito de usar, dentro de limites.
Nela costumam aparecer o número do documento, o órgão que emitiu, a finalidade do uso, a vazão autorizada, as horas de bombeamento por dia, os volumes e a validade. Também podem vir obrigações a cumprir, chamadas de condicionantes.
Cliente rural muitas vezes só descobre que precisa disso depois que o poço está pronto, quando a bomba já está instalada. Quem explica antes, na hora do orçamento, evita retrabalho e discussão.
Estado ou ANA: quem outorga o poço
Poço é sempre outorga do estado. A ANA (Agência Nacional de Águas) outorga água de rios e reservatórios da União, e não a de poço. Se o seu cliente tem um poço e um rio federal na propriedade, são dois pedidos em órgãos diferentes.
O pedido de poço vai para o órgão estadual, que alimenta o cadastro nacional de usuários de recursos hídricos (CNARH). O usuário de poço não costuma se cadastrar direto no CNARH.
Por que o poço precisa de outorga
A Lei 9.433/1997, a Política Nacional de Recursos Hídricos, coloca a extração de água de aquífero entre os usos que dependem de outorga. É por ela que o estado controla quanto se tira de cada aquífero e evita que um poço prejudique o outro.
Para o dono do poço, o documento mostra que aquele uso está autorizado, com vazão e volumes definidos. Isso pesa numa fiscalização e quando aparece disputa de água com o vizinho.
Usar a água sem outorga, quando ela é exigida, é uso irregular. Conforme a legislação do estado, o órgão pode notificar, multar e até mandar parar a captação. O cliente responde primeiro, mas a reclamação costuma chegar a quem perfurou.
Quem pede a outorga do poço
Quem pede é o usuário da água, ou seja, o dono do poço ou o responsável pelo empreendimento que vai usar a água. O nome no processo é o dele. O que muda é quem monta e acompanha o pedido.
- Dono do poço: faz o pedido por conta própria, quando o sistema do órgão é simples e ele tem os documentos.
- Empresa de perfuração: oferece o processo junto com a obra, como serviço. Em alguns estados, a própria empresa precisa de cadastro no órgão para perfurar.
- Geólogo ou consultoria: elabora o estudo e assina como responsável técnico, com ART, quando o órgão pede.
Quando a empresa de perfuração assume o processo, combine por escrito o que está incluído: só o protocolo, ou também as exigências, a vistoria e a renovação. Isso evita o cliente cobrar uma coisa e você ter entendido outra.
Como fazer a outorga de poço artesiano: passo a passo
O caminho muda de órgão para órgão, mas a sequência abaixo é a mais comum. Antes de começar, confirme no site do órgão do estado qual é o sistema de pedido e quais documentos ele lista.
- Confirme o que o seu caso exige. Poço com uso muito pequeno pode ser dispensado de outorga, conforme a regra do estado.
- Veja se precisa de autorização antes de perfurar. Em alguns estados o órgão pede um documento antes da obra, e perfurar sem ele vira problema depois.
- Reúna os documentos do poço e do proprietário. A lista está na próxima seção.
- Cadastre-se e faça o pedido no sistema do órgão. Preencha finalidade do uso, vazão, horas de bombeamento e volumes pedidos.
- Anexe a documentação e pague a taxa, se houver. A cobrança e o valor dependem do órgão.
- Responda às exigências. É comum o órgão devolver o processo pedindo correção ou documento a mais.
- Acompanhe a vistoria, quando houver, e a decisão. A outorga sai concedida ou indeferida. O titular também pode desistir do pedido no meio do caminho.
- Cumpra as condicionantes e controle a validade. Depois de concedida, a outorga vira rotina de prazo.
Autorização antes de perfurar
Segundo os sites dos órgãos, alguns estados pedem um documento antes da perfuração. No Distrito Federal, a outorga prévia é obrigatória antes de perfurar. No Paraná e no Tocantins há anuência prévia. No Maranhão, a perfuração exige autorização própria.
Se você perfura em mais de um estado, anote essa diferença na ficha de cada cliente e confira antes de mandar a perfuratriz para a obra.
Tipos de documento que aparecem no processo
O nome muda de órgão para órgão, mas estes são os tipos que você vai encontrar na rotina:
- outorga de direito de uso de recursos hídricos;
- outorga prévia;
- dispensa ou declaração de uso insignificante;
- cadastro de usuário;
- autorização de perfuração;
- licença ambiental, quando o empreendimento exige;
- outorga para rebaixamento, em casos específicos.
Na conversa com o cliente, três deles costumam se misturar. A autorização ou anuência de perfuração vem antes da obra, nos estados que exigem. A outorga dá o direito de usar a água do poço pronto.
A licença ambiental é outro processo, do licenciamento do empreendimento, e só entra quando a atividade exige. Um não substitui o outro.
Documentos para outorga de poço artesiano
Cada órgão publica a sua lista, e ela pode mudar por portaria. Os itens abaixo são os que mais aparecem nos pedidos. Use como conferência prévia, nunca como lista final.
- Dados construtivos do poço: profundidade, revestimento, filtros e a descrição das camadas atravessadas. Sai do perfil construtivo e litológico que a equipe monta na obra.
- Teste de vazão: a vazão de exploração vem do ensaio. Normalmente é o teste de bombeamento feito na entrega do poço.
- Análise da água: laudo de laboratório, quando o órgão pedir.
- Coordenadas do poço: localização exata, coletada no local.
- CPF ou CNPJ do proprietário e documento de identificação de quem assina.
- ART do responsável técnico: quando o estudo é assinado por geólogo ou engenheiro.
- Documento do imóvel: matrícula, escritura ou contrato que mostre o direito sobre a área.
O erro mais comum é o pedido travar por documento que faltou. O sondador anota a profundidade na obra, o teste fica na planilha do ajudante, o laudo chega por e-mail meses depois. Uma pasta por poço, mesmo no celular, economiza semanas.
Quanto tempo demora a outorga de poço
Não existe um prazo único no Brasil. O tempo depende do órgão do estado, da fila de análise, de o processo exigir taxa ou vistoria e, principalmente, de quantas vezes o órgão devolve o processo com exigência.
Na prática, o que mais atrasa é o pedido incompleto. Cada exigência respondida tarde atrasa a análise. Por isso, nunca prometa data de outorga ao cliente. Prometa o protocolo correto e o acompanhamento.
Etapas do processo no órgão
Ao acompanhar o pedido, você vai passar por etapas parecidas com estas. Nem todo órgão cobra taxa ou faz vistoria:
- protocolo do pedido;
- notificação ou exigência de documento;
- cobrança de taxa;
- vistoria no local;
- aguardando decisão;
- decisão.
Registre a data de cada etapa e o prazo que o órgão deu para responder. Com três ou quatro processos abertos ao mesmo tempo, é assim que nenhuma exigência fica sem resposta.
Quanto custa a outorga de poço: o que entra no custo
Não existe valor único, porque cada estado define as próprias taxas e cada poço pede um conjunto diferente de serviços. O que dá para fazer é saber o que entra na conta antes de orçar:
- Taxa do órgão: quando o estado cobra. O valor e a forma de cálculo dependem do órgão e do tipo de pedido.
- Serviço técnico: estudo, laudo e ART do geólogo ou engenheiro, quando o órgão pede responsável técnico.
- Teste de bombeamento: equipe, bomba, gerador e as horas de ensaio.
- Análise da água: quando faz parte da lista de documentos.
- Equipamentos e proteção: hidrômetro, horímetro, laje e tampa, quando o órgão exige.
- Acompanhamento: protocolo, resposta às exigências e vistoria.
Em algumas regiões existe ainda a cobrança pelo uso da água, que é diferente da taxa do processo. Confirme no órgão se ela se aplica ao poço do seu cliente.
No orçamento, separe o que é taxa do órgão do que é serviço da sua empresa. O cliente entende melhor o preço e não acha que você está cobrando a taxa duas vezes.
Sistemas e órgãos de outorga por estado
A tabela mostra o órgão responsável e como o pedido é feito, conforme os sites oficiais consultados em outubro de 2026. Confira sempre no site do órgão antes de protocolar, porque endereços e sistemas mudam.
| Estado | Órgão | Como o pedido é feito |
|---|---|---|
| Acre | IMAC (Instituto de Meio Ambiente do Acre) | Divisão de Outorga, sem sistema próprio indicado na página |
| Alagoas | SEMARH (Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) | Abertura de processo pelo setor de protocolo de outorgas, sem sistema online próprio |
| Amapá | SEMA (Secretaria de Meio Ambiente) | Protocolo online da SEMA |
| Amazonas | IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) | Formulários e requisitos na página de outorga do órgão |
| Ceará | SRH (Secretaria dos Recursos Hídricos), operacionalizada pela COGERH | Outorga Online da COGERH |
| Distrito Federal | Adasa (Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico) | Presencial, por e-mail ou pelo e-Protocolo do GDF |
| Espírito Santo | AGERH (Agência Estadual de Recursos Hídricos) | Sistema HidroAgerh |
| Goiás | SEMAD (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) | Sistema Veredas |
| Maranhão | SEMA (Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Naturais) | SIGLA |
| Mato Grosso | SEMA (Secretaria de Meio Ambiente) | SIGA Hídrico, pelo portal SIGA da SEMA |
| Mato Grosso do Sul | IMASUL (Instituto de Meio Ambiente) | SIRIEMA, procedimento eletrônico; a empresa de perfuração precisa de cadastro no órgão |
| Minas Gerais | IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) | SOUT (Sistema de Outorga), pelo portal EcoSistemas |
| Paraíba | AESA (Agência Executiva de Gestão das Águas) | Sistema de Outorga da AESA |
| Paraná | IAT (Instituto Água e Terra) | SIGARH; anuência prévia para perfurar |
| Pernambuco | APAC (Agência Pernambucana de Águas e Clima) | SIRH |
| Rio de Janeiro | INEA (Instituto Estadual do Ambiente) | Portal do Licenciamento |
| Rio Grande do Norte | IGARN (Instituto de Gestão das Águas) | SIGA-IGARN |
| Rio Grande do Sul | SEMA (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura) | SIOUT RS |
| Rondônia | SEDAM (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental) | SOLAR |
| Roraima | FEMARH (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) | Divisão de Outorga, requerimento e formulário para baixar |
| Santa Catarina | SEMAE (Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde) | SIOUT SC |
| São Paulo | SP Águas (antigo DAEE) | Portal de Outorga Eletrônica |
| Tocantins | NATURATINS (Instituto Natureza do Tocantins) | SIGAM; anuência prévia antes de perfurar |
Bahia, Pará, Piauí e Sergipe ficaram fora da tabela porque o canal atual de pedido não pôde ser confirmado. Nesses estados, procure a secretaria de meio ambiente ou de recursos hídricos antes de protocolar qualquer coisa.
Quando o poço pode ficar sem outorga
Nem todo poço exige outorga. Alguns estados dispensam o uso muito pequeno, chamado de uso insignificante, mas o limite, o nome do documento e o procedimento mudam de um lugar para outro. Há casos em que a dispensa também é emitida pelo sistema do órgão.
Não presuma que o poço do seu cliente se encaixa: confira o limite antes. O guia sobre dispensa de outorga de poço explica o cadastro e os casos mais comuns.
Poço já perfurado sem outorga: como regularizar
É comum a empresa ser chamada para um poço antigo, feito sem nenhum papel. Em geral o caminho é o mesmo pedido de outorga, ou de dispensa se o uso for pequeno, com os dados do poço que já existe.
O problema costuma ser a falta de dados. Sem perfil construtivo nem teste, o geólogo levanta o que for possível do poço e, muitas vezes, é preciso fazer um teste de bombeamento novo e uma análise da água.
Alguns órgãos têm procedimento próprio para regularizar poço existente. Pergunte ao órgão do estado antes de montar o pedido, e não prometa ao cliente que a regularização apaga uma autuação que já aconteceu.
Condicionantes: o que vem depois de concedida
O documento da outorga costuma trazer obrigações com prazo, as condicionantes. Descumprir pode prejudicar a renovação ou gerar penalidade, conforme o órgão.
Entre as que aparecem com frequência estão enviar leituras do hidrômetro, instalar hidrômetro e horímetro, fazer análise da água de tempos em tempos e entregar relatório ao órgão. Outras pedem laje de proteção, tampa, selo sanitário ou placa de identificação do poço.
Anote o prazo de cada condicionante no dia em que a outorga sai.
Quando uma delas é a análise periódica da água, guarde laudo, data da coleta e laboratório juntos. Veja como funciona um controle de coletas e laudos de análise de água de poços.
No mesmo dia, confira a vazão, as horas por dia e os volumes autorizados contra a bomba que você instalou e o uso que o cliente pretende.
Bomba maior que a vazão outorgada, ou irrigação ligada o dia inteiro, pode colocar o poço fora do que foi autorizado.
Validade: a outorga vence
A outorga tem prazo de validade, e o pedido de renovação precisa entrar com antecedência. Essa antecedência muda de órgão para órgão e pode mudar por portaria. Perder a data pode obrigar a começar o processo do zero.
Veja o guia sobre renovação de outorga de poço para entender como calcular a data limite. Para cuidar de vários clientes, vale ter um jeito de controlar prazos e condicionantes das outorgas em um só lugar, seja sistema, aplicativo ou planilha.
Erros comuns no pedido de outorga
- Perfurar antes de checar a autorização prévia: nos estados que exigem, o problema aparece depois da obra.
- Vazão pedida sem teste que sustente: o número do pedido precisa vir do ensaio, não de estimativa.
- Documento do imóvel em nome de outra pessoa: o pedido trava até regularizar.
- Coordenada errada ou sem coordenada: o órgão não consegue localizar o ponto.
- Não acompanhar o processo: exigência sem resposta no prazo atrasa tudo.
- Esquecer condicionante e vencimento: a outorga concedida vira problema um ano depois.
Checklist rápido antes de protocolar
- Conferi no órgão do estado se precisa de outorga ou se o caso é de dispensa.
- Confirmei se havia autorização exigida antes da perfuração.
- Tenho perfil construtivo, teste de vazão, coordenadas e, se pedido, laudo da água.
- Os documentos do proprietário e do imóvel estão corretos.
- Defini quem acompanha o processo e quem responde às exigências.
- Anotei validade, data limite de renovação e prazos das condicionantes.
Perguntas frequentes
O que é outorga de poço artesiano?
É a autorização do órgão estadual de águas para usar a água subterrânea do poço. Define finalidade, vazão, volumes e validade, e pode trazer obrigações a cumprir, chamadas de condicionantes.
Como fazer a outorga de poço artesiano?
O titular do poço faz o pedido no sistema do órgão do estado, anexa os documentos, paga a taxa quando houver, responde às exigências e acompanha a vistoria e a decisão. Os detalhes mudam de estado para estado.
Quais documentos são necessários para a outorga de poço artesiano?
Costumam aparecer dados construtivos do poço, teste de vazão, análise da água, coordenadas, CPF ou CNPJ do proprietário, ART do responsável técnico e documento do imóvel. Confirme a lista no órgão do seu estado.
Quanto tempo demora a outorga de poço?
Não há prazo único no país. Depende do órgão, da fila de análise, de taxa ou vistoria e das exigências. Pedido completo e respostas rápidas às exigências são o que mais encurta a espera.
Quem pede a outorga: a empresa de perfuração ou o dono do poço?
O pedido é do usuário da água, o dono do poço. A empresa de perfuração, o geólogo ou a consultoria podem montar e acompanhar o processo, se combinado. Em alguns estados a empresa também precisa de cadastro no órgão.
A ANA emite outorga de poço?
Não. Poço é sempre outorga do estado. A ANA outorga água de rios e reservatórios da União.
Todo poço precisa de outorga?
Não necessariamente. Alguns estados dispensam usos muito pequenos, mas o limite e o procedimento variam. Confirme no órgão do estado antes de decidir.
Quanto custa a outorga de poço artesiano?
Não há valor único. Entram a taxa do órgão, quando o estado cobra, o serviço técnico com ART, o teste de bombeamento, a análise da água e, se exigidos, hidrômetro e horímetro. Em algumas regiões há também a cobrança pelo uso da água.
O que acontece se usar o poço sem outorga?
Quando a outorga é exigida, o uso sem ela é irregular. Conforme a legislação do estado, o órgão pode notificar, multar e mandar parar a captação. O caminho é procurar o órgão e regularizar.
Poço antigo, sem documento, pode ser regularizado?
Em geral, sim, com pedido de outorga ou de dispensa usando os dados do poço existente. Muitas vezes é preciso fazer teste de bombeamento e análise da água novos. Alguns órgãos têm procedimento próprio para isso.


