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Manutenção de perfuratriz e compressor: o que revisar e quando

Plano de manutenção para empresas de perfuração: compressor, martelo DTH, bit, broca tricônica, hastes, bomba de lama e gerador, com controle por horímetro e metros e checklist.

Equipe de perfuração fazendo a revisão de uma perfuratriz sobre caminhão no interior, com EPI completo

A manutenção de perfuratriz começa por três coisas: seguir o manual do fabricante, medir o uso da máquina (horas e metros perfurados, não só o calendário) e registrar cada serviço feito. Com isso, a revisão deixa de depender da memória do sondador.

Este guia é para o dono de empresa de perfuração, o sondador e o mecânico. Ele mostra o que costuma entrar no plano, como organizar o controle e o que conferir antes de ligar a máquina.

Os intervalos de cada item ficam por conta do manual do seu modelo.

Por que ter um plano de manutenção de perfuratriz

Quando a sonda quebra no meio do poço, o prejuízo não é só a peça. A equipe fica parada, o cliente rural liga cobrando o prazo, o caminhão de apoio espera e o orçamento fechado por profundidade não aumenta por causa disso.

Um plano de manutenção resolve três problemas comuns da empresa de perfuração:

  • Parada no pior momento: o martelo trava com o furo aberto ou o compressor desarma no meio da perfuração.
  • Peça trocada tarde demais: um desgaste pequeno que ninguém viu vira reparo grande.
  • Ninguém sabe o que foi feito: a última troca de óleo estava "na cabeça" de quem saiu da empresa.

Cada hora de sonda parada é uma hora em que a equipe continua custando e a margem de lucro do poço encolhe. Por isso a manutenção entra no custo da máquina, e não como gasto avulso.

O manual do fabricante manda nos intervalos

Perfuratrizes, compressores, martelos e bombas de lama variam muito de modelo e de fabricante. O regime de trabalho também muda de uma região para outra: rocha dura, areia e poeira desgastam mais do que terreno macio.

Por isso este texto não traz intervalo fixo. O que vale é:

  • o manual de cada equipamento (perfuratriz, compressor, bomba de lama, gerador, martelo);
  • a orientação do fabricante do bit, da broca, do óleo, da graxa e do filtro usados;
  • o histórico da sua própria máquina, que mostra onde ela realmente gasta mais.

Se o manual sumiu, peça uma cópia ao fabricante ou à assistência. Guarde o arquivo junto do cadastro da máquina.

Preventiva x corretiva: qual a diferença

A manutenção preventiva é feita antes da falha, em um momento planejado: troca de óleo, de filtro, inspeção, lubrificação. A corretiva acontece depois que algo quebrou ou parou de funcionar.

A corretiva não some, porque sempre existe falha que ninguém previu. O objetivo é que ela seja a minoria. Um bom sinal é quando a máquina vai para a oficina por decisão sua, e não porque parou na estrada.

Cada quebra também é informação. Se o mesmo defeito volta, o plano precisa de um item novo ou de um intervalo mais curto, sempre dentro do que o fabricante permite.

Controle por horímetro e por metros perfurados

Muita revisão é marcada por data, mas a máquina desgasta por uso. Três formas de medir ajudam:

  • Horímetro: conta as horas de motor ligado. Serve para óleo do motor, filtros, correias e para o compressor.
  • Metros perfurados: medem o trabalho das peças que cortam a rocha. Servem para o bit, a broca, o martelo e as hastes.
  • Quilômetros: para o caminhão que leva a sonda e o de apoio.

Atenção: compressor com motor próprio tem horímetro próprio. Anote separado do motor da sonda, porque um pode trabalhar mais do que o outro.

Uma sonda pode ficar um mês parada e outra perfurar todos os dias. Pelo calendário, as duas teriam a mesma revisão. Pelo uso, não. O ideal é que cada serviço tenha um gatilho: o que chegar primeiro, data ou medidor.

Ao fim do dia de perfuração, o sondador anota as horas e os metros. Se isso ficar para o fim da semana, o número sai errado.

Manutenção do compressor de perfuração

Na perfuração a ar, é o compressor que sopra o martelo e tira o detrito do furo. Se ele falha, a sonda para, mesmo com tudo o mais em ordem. Itens que costumam aparecer no plano, conforme o manual do modelo:

  • nível e troca do óleo do compressor;
  • filtro de ar, que sofre muito com a poeira da terra seca no interior;
  • filtro de óleo e elemento separador;
  • dreno do condensado, para a água não seguir pela linha;
  • radiador e arrefecimento, limpos de barro e de pó;
  • temperatura de descarga e pressão, comparadas com o normal da máquina;
  • no motor diesel, filtros de combustível e o separador de água do diesel;
  • mangueiras, conexões e vazamentos de ar;
  • válvulas, manômetros e dispositivos de segurança;
  • correias, acoplamento e motor que aciona o conjunto.

Elemento separador saturado deixa o óleo do compressor seguir pela linha de ar. Junto com o condensado sem drenar, isso chega ao martelo e atrapalha a lubrificação certa dele.

Hidráulico, motor, cabeçote e mastro da perfuratriz

A perfuratriz reúne vários sistemas. Cada um tem o seu ponto de atenção:

  • Sistema hidráulico: nível e estado do óleo, filtros, respiro do tanque, mangueiras, cilindros e vazamentos. Óleo com barro ou água estraga bomba e comando.
  • Motor e transmissão: óleo, filtros, combustível e arrefecimento.
  • Cabeçote de rotação: folgas, fixações, pontos de graxa e o sub adaptador.
  • Mastro e avanço: guias, correntes ou cabos de avanço, fixações e travas.
  • Guincho e cabo de aço: fios rompidos, amassados, gancho e trava.
  • Morsa e chave de quebra: mordentes gastos deixam a haste escorregar.
  • Chassi e caminhão: pneus, freios, luzes e suspensão, quando a perfuratriz é montada sobre caminhão.
  • Segurança: proteções, parada de emergência, travas e sinalização funcionando.

Segurança na hora da manutenção

  • Máquina desligada, chave fora e mastro travado ou abaixado.
  • Linha de ar despressurizada antes de soltar qualquer mangueira. Mangueira de ar solta sob pressão chicoteia.
  • Cabo antichicote nas conexões das mangueiras de ar.
  • EPI: capacete, óculos, luvas, protetor auricular e botina.

Vazamento novo no chão de manhã é sinal de que algo precisa de atenção antes do trabalho começar.

Martelo DTH e bit: lubrificação e afiação

O martelo de fundo de furo trabalha com ar comprimido e transmite a pancada ao bit. O bit tem botões de metal duro que quebram a rocha. Com o uso, esses botões desgastam e perdem a forma.

Lubrificação do martelo

O martelo precisa de óleo de martelo misturado ao ar, pelo lubrificador de linha. Martelo trabalhando seco gasta por dentro muito mais rápido. Confira o nível do lubrificador todo dia e a dose indicada pelo fabricante do martelo.

Ao parar a sonda por mais tempo, sopre o martelo, lubrifique e guarde tampado, para não entrar terra nem umidade.

Afiação dos botões e calibre do bit

Um bit com botões gastos perfura mais devagar, força o martelo e o compressor e gasta mais combustível por metro. Por isso a afiação entra no plano, e o gatilho natural é o metro perfurado.

Pontos que costumam ser olhados:

  • botões lascados, quebrados ou achatados;
  • desgaste dos botões e do corpo no calibre, que é a borda que define o diâmetro do furo;
  • folga e desgaste interno do martelo, que pedem desmontagem e revisão em oficina.

O calibre gasto merece atenção especial. O furo vai afinando, o bit novo pode travar ao descer no trecho aberto pelo gasto e o revestimento pode não passar.

Quando e como afiar depende do tipo de bit e da rocha. Siga o fabricante do bit e use ferramenta e rebolo adequados.

Broca tricônica na perfuração com lama

Em terreno sedimentar, muita empresa perfura no rotativo com lama e broca tricônica. Ela também entra no plano, pelo metro perfurado:

  • folga dos cones, sinal de rolamento gasto;
  • dentes ou insertos quebrados e desgaste no calibre;
  • jatos entupidos ou gastos;
  • rosca da broca limpa e protegida.

Cone solto no fundo do furo vira pescaria. Broca com folga sai do furo antes disso.

Hastes e roscas

As hastes carregam a rotação e o ar ou a lama até o fundo. A rosca é a parte mais exigida e a que mais dá problema. Rosca gasta ou suja vaza, pode soltar no furo ou ficar presa de um jeito difícil de desmontar.

No dia a dia, vale:

  • limpar as roscas e conferir se há dano antes de cada emenda;
  • aplicar a graxa de rosca indicada pelo fabricante;
  • usar protetor de rosca no transporte e não arrastar haste no chão;
  • procurar trincas, empenos e desgaste nas pontas, porque haste empenada desvia o furo;
  • separar hastes suspeitas, em vez de "dar mais uma volta";
  • trocar o sub de sacrifício entre o cabeçote e a coluna quando a rosca dele gastar, para poupar o cabeçote;
  • contar as hastes descidas para fechar a profundidade do furo.

Haste partida no furo vira pescaria, com dias de equipe parada. A inspeção de rosca é barata perto disso.

Bomba de lama e gerador

Nem toda empresa de perfuração usa bomba de lama, mas quem usa precisa incluí-la no plano. Os itens variam com o tipo de bomba. Em geral, olha-se:

  • nível e qualidade do óleo da parte mecânica;
  • peças que tocam a lama (pistões e camisas, rotor, válvulas e vedações, conforme o tipo), que desgastam com a areia;
  • mangueiras e conexões de sucção e de recalque;
  • lavagem ao fim do trabalho, para a lama não secar dentro da bomba.

O gerador, usado em local sem rede elétrica, pede cuidados de qualquer motor: óleo, filtros, combustível limpo, bateria, arrefecimento e horas de uso anotadas. Gerador esquecido é o que falha quando precisa ligar a solda ou a iluminação.

Checklist diário e semanal da sonda

Um checklist curto, feito todo dia, funciona melhor do que um longo que ninguém preenche. Abaixo, um modelo de partida. Ajuste ao seu equipamento e ao que o manual pede.

Antes de começar o dia

  1. Olhar o chão em volta da máquina atrás de vazamento.
  2. Conferir óleo do motor, hidráulico e do compressor, e o arrefecimento.
  3. Conferir combustível e drenar a água do separador do diesel, se o manual pedir.
  4. Conferir o lubrificador de linha do martelo.
  5. Inspecionar mangueiras, conexões e cabos antichicote.
  6. Ver o estado do bit ou da broca e das roscas das hastes que vão ser usadas.
  7. Testar parada de emergência e proteções.
  8. Engraxar os pontos que o manual manda engraxar diariamente.
  9. Anotar o horímetro de saída.

No fim do dia

  1. Anotar horas e metros perfurados.
  2. Registrar qualquer barulho, vazamento ou comportamento diferente.
  3. Drenar o condensado do compressor.
  4. Limpar a máquina, principalmente radiador e filtro de ar.
  5. Lavar a bomba de lama, se usada.
  6. Deixar o equipamento travado e seguro.

Uma vez por semana

  1. Fazer inspeção mais detalhada de hastes, bit, broca e martelo.
  2. Conferir fixações, folgas, mastro, guincho e cabo de aço.
  3. Olhar pneus, freios e luzes dos caminhões.
  4. Rever o que o sondador anotou na semana e decidir o que vira serviço.

Os demais serviços, como troca de óleo, filtros e revisão do martelo, seguem o horímetro, os metros ou a data do manual.

Registro e alertas: como não esquecer

O plano só funciona se cada serviço for registrado e alguém for avisado quando o próximo estiver chegando. Para cada máquina, anote:

  • o que foi feito, a data e a leitura do horímetro ou dos metros;
  • quem fez e qual peça ou óleo foi usado;
  • quando vence o próximo, pelo que chegar primeiro: data ou medidor;
  • foto da peça trocada, quando ajudar a explicar o defeito.

Dá para fazer isso em caderno, planilha, grupo de WhatsApp ou em um sistema de controle de frota. O que importa é a informação ficar em um só lugar e alguém olhar a lista de vencimentos toda semana.

O registro feito pelo celular, pelo sondador ainda na locação, é o que menos se perde. Se depender de passar a limpo no escritório, o dado atrasa e some.

Para ver como um software trata esse controle, veja a manutenção de sonda de perfuração por horas e metros.

O custo da máquina parada

Mesmo sem somar valores, dá para enxergar o tamanho do problema. Máquina parada significa:

  • equipe recebendo sem perfurar;
  • prazo estourando com o cliente;
  • peça comprada às pressas, quase sempre mais cara;
  • perda de outro serviço que poderia ter sido fechado na mesma semana.

Compare isso com o tempo gasto em revisão planejada. Quem acompanha o custo de cada máquina ao longo do ano percebe qual equipamento compensa manter e qual dá mais despesa do que resultado. Esse olhar faz parte da produtividade da equipe de perfuração.

Quem tem mais de uma sonda ganha ao juntar manutenção, abastecimento e custos de cada máquina no mesmo lugar, como num controle de frota e sondas.

Como começar o plano na sua empresa

  1. Liste as máquinas e equipamentos: perfuratriz, caminhões, compressor, bomba de lama, gerador, martelo, bits, brocas e hastes.
  2. Junte o manual de cada um.
  3. Para cada item, escreva os serviços e o gatilho que o fabricante indica (horas, metros, quilômetros ou tempo).
  4. Defina quem anota e onde fica o registro.
  5. Adote o checklist diário e semanal por um mês e ajuste.
  6. Reveja o plano depois de cada quebra.

Comece pelo checklist diário e pela anotação de horas e metros. O resto do plano cresce em cima desse hábito.

Perguntas frequentes

Com que frequência fazer a manutenção da perfuratriz?

Quem define é o manual do fabricante do seu modelo. Em geral o gatilho é o uso (horas de motor e metros perfurados), e não só a data. Use o que chegar primeiro e ajuste com o histórico da sua máquina.

O que revisar no compressor de perfuração?

Costumam entrar no plano o óleo, o filtro de ar, o filtro de óleo, o elemento separador, o dreno do condensado, o radiador, a temperatura de descarga, as mangueiras, os dispositivos de segurança e, no motor diesel, os filtros e o separador de água do combustível. A lista e os intervalos certos estão no manual do modelo.

Quando afiar os botões do bit do martelo DTH?

Quando os botões estão gastos, achatados ou lascados, ou o calibre começa a gastar, e a perfuração fica mais lenta. O melhor gatilho é o metro perfurado. Calibre gasto afina o furo e pode travar o bit novo. Como e quando afiar depende do tipo de bit e da rocha: siga o fabricante do bit.

Qual a diferença entre manutenção preventiva e corretiva?

A preventiva é planejada e feita antes da falha, como troca de óleo e inspeção. A corretiva acontece depois que algo quebrou. O plano existe para a corretiva ser a minoria.

Controlar por horímetro ou por metros perfurados?

Os dois. O horímetro serve para motor, compressor e filtros, e o compressor com motor próprio tem horímetro separado. Os metros perfurados servem para bit, broca tricônica, martelo e hastes, que desgastam com a rocha cortada. Para os caminhões, quilômetros.

Preciso de sistema para controlar a manutenção?

Não é obrigatório. Caderno, planilha ou grupo de WhatsApp funcionam se alguém registrar tudo e olhar os vencimentos toda semana. Um sistema ou aplicativo ajuda a avisar antes de vencer.

O que não pode faltar no checklist diário da sonda?

Vazamentos, níveis de óleo e arrefecimento, combustível e água do separador do diesel, lubrificador de linha do martelo, mangueiras e cabos antichicote, estado do bit ou da broca e das roscas, parada de emergência, pontos de graxa diários do manual e a anotação do horímetro.

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