Para saber quanto cobrar por metro de poço artesiano, some o custo fixo da empresa dividido pelos metros perfurados no mês, o custo variável de cada metro (diesel, broca, lama, manutenção e diárias) e depois acrescente os impostos e a margem de lucro.
Faça a conta separada para solo e para rocha.
O preço da região serve de referência, mas não diz se o seu metro dá lucro. Duas empresas na mesma cidade podem cobrar igual e uma ganhar dinheiro enquanto a outra paga para trabalhar. A diferença está no custo de cada uma.
Por que copiar o preço do concorrente é arriscado
Quase todo dono de empresa de perfuração começou cobrando o que os outros cobravam. Funciona enquanto o diesel não sobe, a broca dura e a máquina não quebra. Quando uma dessas coisas muda, o preço continua o mesmo e o lucro some sem ninguém perceber.
Os sinais de que o metro está barato demais:
- A empresa tem serviço o mês inteiro e mesmo assim falta dinheiro para trocar o compressor.
- Poço em rocha dá a sensação de prejuízo, mas ninguém sabe quanto.
- O dono não sabe dizer quantos litros de diesel a perfuratriz gasta por metro.
- A reserva para trocar a máquina não existe, e a próxima perfuratriz vai sair de empréstimo.
Saber o seu custo não obriga a cobrar mais caro que o vizinho. Mostra até onde dá para negociar e em que tipo de poço vale a pena insistir.
Como calcular o preço de perfuração de poço: a conta em 4 partes
O preço do metro tem quatro pedaços. Cada um sai de números que a empresa já tem, só que espalhados em notas, caderno e conversa com o sondador.
- Custo fixo por metro: tudo o que a empresa gasta no mês mesmo com a máquina parada, dividido pelos metros perfurados no mês.
- Custo variável por metro: o que só existe quando a broca gira: diesel, desgaste da broca ou do martelo, lama, manutenção e diárias da equipe.
- Impostos: a parte da nota que vai para o governo. O contador diz quanto é no seu enquadramento.
- Margem de lucro: o que precisa ficar para a empresa crescer, trocar equipamento e aguentar mês fraco.
A fórmula fica assim:
Preço mínimo do metro = (custo fixo por metro + custo variável por metro) ÷ (1 − impostos − margem de lucro)
Impostos e margem entram como fração do preço. Se o contador fala em seis por cento de imposto, use 0,06 na conta.
1. Custo fixo por metro
Liste os custos que chegam todo mês, faça chuva ou faça sol:
- salários e encargos do sondador e dos ajudantes;
- pró-labore do dono, que também é custo;
- parcela da perfuratriz, do caminhão e do compressor, ou a reserva para trocar quando estiverem quitados;
- seguro, aluguel do pátio, contador, telefone e escritório;
- responsável técnico, quando ele é pago por mês.
Some tudo e divida pelos metros que a empresa perfura num mês normal. Use a média dos últimos meses, não o mês recorde. Mês de chuva, de máquina na oficina e de cliente que adiou também fazem parte do ano.
Esse número explica por que perfurar pouco sai caro: o custo fixo é o mesmo, e com menos metros cada metro carrega uma fatia maior.
2. Custo variável por metro
Aqui está a maior diferença entre solo e rocha. Em rocha a perfuratriz gasta mais diesel por metro, o martelo se desgasta mais e a equipe rende menos metros por dia. Por isso a planilha tem duas colunas.
- Diesel: litros gastos no dia (perfuratriz e compressor) divididos pelos metros do dia, vezes o preço do litro.
- Broca ou martelo: preço da peça dividido pelos metros que ela aguentou. Anote a vida de cada peça, porque é o número que mais engana.
- Lama, bentonita e aditivos: o gasto do poço dividido pelos metros do poço.
- Manutenção: tudo o que foi gasto no ano com peças, óleo, filtros e mangueiras da perfuratriz e do compressor, dividido pelos metros do ano.
- Diárias: alimentação e hospedagem da equipe por dia, divididas pelos metros que ela faz por dia.
O boletim diário de perfuração é a fonte desses números. Sem ele, o diesel por metro vira chute. Veja como montar no guia do boletim diário de perfuração de poço.
3. Impostos
O imposto incide sobre o valor da nota, não sobre o lucro. Por isso ele entra dividindo o preço, junto com a margem.
Peça ao contador o percentual que a sua empresa paga hoje e confira de novo quando o faturamento do ano subir de faixa.
4. Margem de lucro
A margem de lucro é a parte do preço que sobra depois de pagar todos os custos e os impostos. Ela paga a próxima perfuratriz, cobre o poço que deu problema e segura a empresa no mês fraco.
Atenção a um erro comum: margem sobre o preço não é o mesmo que somar uma porcentagem ao custo.
Quem soma vinte por cento ao custo achando que tem vinte por cento de margem, na verdade fica com menos. Use a fórmula acima, que já faz a conta certa.
Quanto cobrar por metro de poço artesiano em solo e em rocha
Com a conta feita para os dois casos, a empresa tem dois preços mínimos de metro. Na prática, há três jeitos de apresentar isso ao cliente:
| Forma de cobrar | Quando funciona | Cuidado |
|---|---|---|
| Metro de solo e metro de rocha separados | Região onde a rocha aparece em profundidade variável | Combinar no contrato como se mede onde começa a rocha |
| Preço único por metro | Região conhecida, com poços parecidos | Usar a média ponderada pelo que costuma aparecer, não o preço do solo |
| Preço fechado até uma profundidade, mais o metro excedente | Cliente que quer saber o total antes | Definir por escrito o valor do metro a mais e quem autoriza continuar |
Os poços vizinhos ajudam a estimar quanto de solo e de rocha vai aparecer. O guia de como consultar poços no SIAGAS mostra como usar os perfis da região antes de orçar.
O que fica fora do preço do metro
O metro paga a perfuração. Material e serviços extras entram como itens separados no orçamento, com quantidade e valor:
- mobilização da equipe e da máquina, principalmente em local longe;
- revestimento, filtro e pré-filtro;
- cimentação, laje de proteção e tampa;
- limpeza e desenvolvimento do poço;
- teste de vazão e análise da água;
- bomba, cabo, tubo edutor, quadro de comando e instalação;
- relatório do poço, outorga e taxas.
Colocar tudo isso dentro do metro esconde o custo e deixa o preço difícil de comparar. Separado, o cliente entende o que está pagando e a empresa não esquece nenhum item. O modelo de orçamento de poço artesiano já traz esses itens em linhas próprias.
Erros que derrubam a margem do metro
- Esquecer o deslocamento: o diesel do caminhão até a propriedade e o dia perdido de montagem não aparecem no metro, mas saem do caixa.
- Não contar o dia parado: chuva, quebra e espera do cliente reduzem os metros do mês e aumentam o custo fixo de cada metro.
- Usar a vida da broca do catálogo: vale a vida que a peça teve na sua região, anotada no boletim.
- Dar desconto no metro para fechar: desconto sai inteiro da margem. Dez por cento de desconto num preço com vinte por cento de margem leva cerca de metade do lucro.
- Não revisar o preço: diesel e peças mudam de preço várias vezes no ano. Refaça a conta a cada aumento grande.
Como explicar o preço ao cliente
Cliente rural compara preço de metro pelo WhatsApp. Quem só manda o número perde para o mais barato. Quem explica o que entra no serviço tem chance de fechar pelo valor justo.
- Mostre o que está incluso e o que é à parte, item por item.
- Explique a diferença entre solo e rocha com o exemplo dos poços da região.
- Deixe por escrito o que acontece se a profundidade passar da estimada.
- Combine as etapas de pagamento ligadas ao avanço do serviço.
O acerto vira contrato. O guia de contrato de perfuração de poço artesiano mostra as cláusulas de profundidade, metro excedente e poço seco.
Resumo da conta
- Some os custos fixos do mês e divida pelos metros de um mês normal.
- Calcule o custo variável por metro em solo e em rocha, com números do boletim diário.
- Pergunte ao contador o percentual de imposto.
- Defina a margem de lucro e aplique a fórmula.
- Compare com o preço que cobra hoje e veja a margem real de cada tipo de poço.
Perguntas frequentes
Como calcular o preço do metro de poço artesiano?
Some o custo fixo por metro (custos do mês divididos pelos metros perfurados no mês) e o custo variável por metro (diesel, broca, lama, manutenção e diárias). Depois divida por um menos a fração de impostos e de margem de lucro. Faça a conta separada para solo e para rocha.
O metro em rocha deve custar mais que em solo?
Em geral, sim. Em rocha a perfuratriz gasta mais diesel por metro, a broca ou o martelo se desgasta mais rápido e a equipe faz menos metros por dia. Com esses números do boletim diário, o custo do metro em rocha costuma sair maior.
O que entra no preço do metro perfurado?
Entram os custos de perfurar: diesel, desgaste da broca, lama e aditivos, manutenção da perfuratriz e do compressor, diárias da equipe e a parte dos custos fixos da empresa. Revestimento, filtro, pré-filtro, bomba, teste e análise da água vão como itens separados no orçamento.
Como calcular o custo de diesel por metro perfurado?
Anote no boletim diário os litros de diesel gastos pela perfuratriz e pelo compressor e os metros perfurados no dia. Divida os litros pelos metros e multiplique pelo preço do litro. Use a média de vários dias, separada para solo e rocha.
Qual margem de lucro usar no preço do metro?
Não existe um número único. A margem precisa cobrir a troca dos equipamentos, os poços que dão problema e os meses fracos. Calcule a margem real do preço que você já cobra e defina a meta a partir dela, lembrando que margem é sobre o preço, não sobre o custo.
Mobilização entra no preço do metro?
O mais claro é cobrar a mobilização como item separado, principalmente quando o local é longe. Assim o metro fica comparável entre clientes e o custo de levar a máquina até a propriedade não fica escondido nem é esquecido.
De quanto em quanto tempo revisar o preço do metro?
Sempre que diesel, brocas ou salários mudarem bastante, e pelo menos a cada seis meses. Atualize os números da planilha e compare o preço mínimo com o que você cobra hoje.


