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Quanto cobrar por metro de poço artesiano: como calcular o preço

A conta do preço do metro perfurado em 4 partes: custo fixo, custo variável em solo e em rocha, impostos e margem de lucro, com planilha grátis.

Dono de empresa de perfuração fazendo as contas do metro perfurado ao lado da perfuratriz no interior do Brasil

Para saber quanto cobrar por metro de poço artesiano, some o custo fixo da empresa dividido pelos metros perfurados no mês, o custo variável de cada metro (diesel, broca, lama, manutenção e diárias) e depois acrescente os impostos e a margem de lucro.

Faça a conta separada para solo e para rocha.

O preço da região serve de referência, mas não diz se o seu metro dá lucro. Duas empresas na mesma cidade podem cobrar igual e uma ganhar dinheiro enquanto a outra paga para trabalhar. A diferença está no custo de cada uma.

Por que copiar o preço do concorrente é arriscado

Quase todo dono de empresa de perfuração começou cobrando o que os outros cobravam. Funciona enquanto o diesel não sobe, a broca dura e a máquina não quebra. Quando uma dessas coisas muda, o preço continua o mesmo e o lucro some sem ninguém perceber.

Os sinais de que o metro está barato demais:

  • A empresa tem serviço o mês inteiro e mesmo assim falta dinheiro para trocar o compressor.
  • Poço em rocha dá a sensação de prejuízo, mas ninguém sabe quanto.
  • O dono não sabe dizer quantos litros de diesel a perfuratriz gasta por metro.
  • A reserva para trocar a máquina não existe, e a próxima perfuratriz vai sair de empréstimo.

Saber o seu custo não obriga a cobrar mais caro que o vizinho. Mostra até onde dá para negociar e em que tipo de poço vale a pena insistir.

Como calcular o preço de perfuração de poço: a conta em 4 partes

O preço do metro tem quatro pedaços. Cada um sai de números que a empresa já tem, só que espalhados em notas, caderno e conversa com o sondador.

  1. Custo fixo por metro: tudo o que a empresa gasta no mês mesmo com a máquina parada, dividido pelos metros perfurados no mês.
  2. Custo variável por metro: o que só existe quando a broca gira: diesel, desgaste da broca ou do martelo, lama, manutenção e diárias da equipe.
  3. Impostos: a parte da nota que vai para o governo. O contador diz quanto é no seu enquadramento.
  4. Margem de lucro: o que precisa ficar para a empresa crescer, trocar equipamento e aguentar mês fraco.

A fórmula fica assim:

Preço mínimo do metro = (custo fixo por metro + custo variável por metro) ÷ (1 − impostos − margem de lucro)

Impostos e margem entram como fração do preço. Se o contador fala em seis por cento de imposto, use 0,06 na conta.

1. Custo fixo por metro

Liste os custos que chegam todo mês, faça chuva ou faça sol:

  • salários e encargos do sondador e dos ajudantes;
  • pró-labore do dono, que também é custo;
  • parcela da perfuratriz, do caminhão e do compressor, ou a reserva para trocar quando estiverem quitados;
  • seguro, aluguel do pátio, contador, telefone e escritório;
  • responsável técnico, quando ele é pago por mês.

Some tudo e divida pelos metros que a empresa perfura num mês normal. Use a média dos últimos meses, não o mês recorde. Mês de chuva, de máquina na oficina e de cliente que adiou também fazem parte do ano.

Esse número explica por que perfurar pouco sai caro: o custo fixo é o mesmo, e com menos metros cada metro carrega uma fatia maior.

2. Custo variável por metro

Aqui está a maior diferença entre solo e rocha. Em rocha a perfuratriz gasta mais diesel por metro, o martelo se desgasta mais e a equipe rende menos metros por dia. Por isso a planilha tem duas colunas.

  • Diesel: litros gastos no dia (perfuratriz e compressor) divididos pelos metros do dia, vezes o preço do litro.
  • Broca ou martelo: preço da peça dividido pelos metros que ela aguentou. Anote a vida de cada peça, porque é o número que mais engana.
  • Lama, bentonita e aditivos: o gasto do poço dividido pelos metros do poço.
  • Manutenção: tudo o que foi gasto no ano com peças, óleo, filtros e mangueiras da perfuratriz e do compressor, dividido pelos metros do ano.
  • Diárias: alimentação e hospedagem da equipe por dia, divididas pelos metros que ela faz por dia.

O boletim diário de perfuração é a fonte desses números. Sem ele, o diesel por metro vira chute. Veja como montar no guia do boletim diário de perfuração de poço.

3. Impostos

O imposto incide sobre o valor da nota, não sobre o lucro. Por isso ele entra dividindo o preço, junto com a margem.

Peça ao contador o percentual que a sua empresa paga hoje e confira de novo quando o faturamento do ano subir de faixa.

4. Margem de lucro

A margem de lucro é a parte do preço que sobra depois de pagar todos os custos e os impostos. Ela paga a próxima perfuratriz, cobre o poço que deu problema e segura a empresa no mês fraco.

Atenção a um erro comum: margem sobre o preço não é o mesmo que somar uma porcentagem ao custo.

Quem soma vinte por cento ao custo achando que tem vinte por cento de margem, na verdade fica com menos. Use a fórmula acima, que já faz a conta certa.

Quanto cobrar por metro de poço artesiano em solo e em rocha

Com a conta feita para os dois casos, a empresa tem dois preços mínimos de metro. Na prática, há três jeitos de apresentar isso ao cliente:

Forma de cobrar Quando funciona Cuidado
Metro de solo e metro de rocha separados Região onde a rocha aparece em profundidade variável Combinar no contrato como se mede onde começa a rocha
Preço único por metro Região conhecida, com poços parecidos Usar a média ponderada pelo que costuma aparecer, não o preço do solo
Preço fechado até uma profundidade, mais o metro excedente Cliente que quer saber o total antes Definir por escrito o valor do metro a mais e quem autoriza continuar

Os poços vizinhos ajudam a estimar quanto de solo e de rocha vai aparecer. O guia de como consultar poços no SIAGAS mostra como usar os perfis da região antes de orçar.

O que fica fora do preço do metro

O metro paga a perfuração. Material e serviços extras entram como itens separados no orçamento, com quantidade e valor:

  • mobilização da equipe e da máquina, principalmente em local longe;
  • revestimento, filtro e pré-filtro;
  • cimentação, laje de proteção e tampa;
  • limpeza e desenvolvimento do poço;
  • teste de vazão e análise da água;
  • bomba, cabo, tubo edutor, quadro de comando e instalação;
  • relatório do poço, outorga e taxas.

Colocar tudo isso dentro do metro esconde o custo e deixa o preço difícil de comparar. Separado, o cliente entende o que está pagando e a empresa não esquece nenhum item. O modelo de orçamento de poço artesiano já traz esses itens em linhas próprias.

Erros que derrubam a margem do metro

  • Esquecer o deslocamento: o diesel do caminhão até a propriedade e o dia perdido de montagem não aparecem no metro, mas saem do caixa.
  • Não contar o dia parado: chuva, quebra e espera do cliente reduzem os metros do mês e aumentam o custo fixo de cada metro.
  • Usar a vida da broca do catálogo: vale a vida que a peça teve na sua região, anotada no boletim.
  • Dar desconto no metro para fechar: desconto sai inteiro da margem. Dez por cento de desconto num preço com vinte por cento de margem leva cerca de metade do lucro.
  • Não revisar o preço: diesel e peças mudam de preço várias vezes no ano. Refaça a conta a cada aumento grande.

Como explicar o preço ao cliente

Cliente rural compara preço de metro pelo WhatsApp. Quem só manda o número perde para o mais barato. Quem explica o que entra no serviço tem chance de fechar pelo valor justo.

  • Mostre o que está incluso e o que é à parte, item por item.
  • Explique a diferença entre solo e rocha com o exemplo dos poços da região.
  • Deixe por escrito o que acontece se a profundidade passar da estimada.
  • Combine as etapas de pagamento ligadas ao avanço do serviço.

O acerto vira contrato. O guia de contrato de perfuração de poço artesiano mostra as cláusulas de profundidade, metro excedente e poço seco.

Resumo da conta

  1. Some os custos fixos do mês e divida pelos metros de um mês normal.
  2. Calcule o custo variável por metro em solo e em rocha, com números do boletim diário.
  3. Pergunte ao contador o percentual de imposto.
  4. Defina a margem de lucro e aplique a fórmula.
  5. Compare com o preço que cobra hoje e veja a margem real de cada tipo de poço.

Perguntas frequentes

Como calcular o preço do metro de poço artesiano?

Some o custo fixo por metro (custos do mês divididos pelos metros perfurados no mês) e o custo variável por metro (diesel, broca, lama, manutenção e diárias). Depois divida por um menos a fração de impostos e de margem de lucro. Faça a conta separada para solo e para rocha.

O metro em rocha deve custar mais que em solo?

Em geral, sim. Em rocha a perfuratriz gasta mais diesel por metro, a broca ou o martelo se desgasta mais rápido e a equipe faz menos metros por dia. Com esses números do boletim diário, o custo do metro em rocha costuma sair maior.

O que entra no preço do metro perfurado?

Entram os custos de perfurar: diesel, desgaste da broca, lama e aditivos, manutenção da perfuratriz e do compressor, diárias da equipe e a parte dos custos fixos da empresa. Revestimento, filtro, pré-filtro, bomba, teste e análise da água vão como itens separados no orçamento.

Como calcular o custo de diesel por metro perfurado?

Anote no boletim diário os litros de diesel gastos pela perfuratriz e pelo compressor e os metros perfurados no dia. Divida os litros pelos metros e multiplique pelo preço do litro. Use a média de vários dias, separada para solo e rocha.

Qual margem de lucro usar no preço do metro?

Não existe um número único. A margem precisa cobrir a troca dos equipamentos, os poços que dão problema e os meses fracos. Calcule a margem real do preço que você já cobra e defina a meta a partir dela, lembrando que margem é sobre o preço, não sobre o custo.

Mobilização entra no preço do metro?

O mais claro é cobrar a mobilização como item separado, principalmente quando o local é longe. Assim o metro fica comparável entre clientes e o custo de levar a máquina até a propriedade não fica escondido nem é esquecido.

De quanto em quanto tempo revisar o preço do metro?

Sempre que diesel, brocas ou salários mudarem bastante, e pelo menos a cada seis meses. Atualize os números da planilha e compare o preço mínimo com o que você cobra hoje.

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