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Relatório técnico construtivo de poço: o que precisa ter (checklist NBR 12244)

Checklist para empresas de perfuração e geólogos conferirem o relatório construtivo de poço tubular antes de assinar: itens da NBR 12244, erros comuns e o que muda por estado.

Geólogo e sondador conferindo o relatório do poço ao lado da perfuratriz em terra vermelha

O relatório técnico construtivo de poço é o documento que registra como o poço foi construído e o que ele entrega: localização, perfuração, litologia, tubos e filtros, cimentação, testes, água e responsável técnico. Cliente, geólogo e órgão de outorga o usam para entender o poço.

Dono de empresa de perfuração e geólogo podem usar este checklist antes de assinar. Ele segue a lógica da ABNT NBR 12244 (construção de poço tubular) e da NBR 12212 (projeto): o relatório mostra se o poço saiu como projetado.

O que é o relatório técnico construtivo de poço

É o relatório do poço como construído. Ele junta, num só documento, o desenho do perfil (litologia de um lado, construção do outro), as tabelas de materiais e profundidades, os resultados dos testes e a assinatura do responsável técnico.

Também é chamado de relatório construtivo de poço tubular. O nome pode mudar de uma região para outra, mas a função é a mesma: provar que o poço foi feito conforme o projeto e mostrar o que ele produz.

Não é o mesmo que o perfil nem a ficha de perfuração

O perfil é uma parte do relatório. O guia sobre como fazer o perfil construtivo e litológico de poço explica o desenho e a descrição das camadas. Aqui o foco é o documento completo e o que conferir nele.

A ficha da perfuração é o registro do dia a dia da máquina. O relatório técnico é o fechamento: pega esses dados, soma os testes e as análises e vira o documento que sai assinado.

Também não é o relatório de perfuração simples, com fotos e dados principais, que muitas empresas mandam ao cliente no fim da obra. Aquele é um documento de entrega. O técnico vai com ART e serve para a outorga e para o geólogo.

O que o órgão de outorga costuma pedir

Cada estado tem o seu órgão, seus formulários e suas exigências, e isso muda com o tempo. Em geral, o relatório construtivo entra junto com outros documentos do poço, como o teste de bombeamento e a ART do responsável técnico.

O que costuma interessar ao órgão: onde o poço está, como foi construído, de que aquífero produz, quanta água pode ser retirada sem prejudicar o poço e o aquífero e quem responde tecnicamente.

Antes de fechar o relatório, confira no órgão do seu estado qual modelo é aceito, quais anexos são exigidos e se há instrução técnica própria. Algumas trazem regras de construção e de teste que não valem para o Brasil inteiro.

Checklist do relatório técnico construtivo (NBR 12244)

Use a lista como conferência final. Os itens seguem o que a NBR 12244 e a prática de projeto tratam como informação de um poço bem documentado. O que for obrigatório no seu caso depende do contrato, do projeto e do órgão do seu estado.

1. Localização e coordenadas

  • Cliente, propriedade, município e estado.
  • Coordenadas geográficas com o sistema de referência informado (por exemplo, SIRGAS 2000). Coordenada sem o sistema de referência gera dúvida.
  • Identificação do poço, para não confundir com outros da mesma propriedade.
  • Datas de início e fim da perfuração.

2. Método de perfuração

  • Método usado (rotopneumático, rotativo, percussão ou outro) e, se mudou ao longo do furo, em qual profundidade.
  • Profundidade final perfurada.
  • Diâmetro de cada trecho do furo.

3. Perfil litológico e entradas de água

Como desenhar e descrever as camadas está no guia do perfil citado acima. No relatório, confira se:

  • as camadas vão da boca ao fundo, sem buraco de profundidade entre uma e outra;
  • fraturas, cavernas e entradas de água aparecem com a profundidade e, quando medida, a vazão observada na perfuração (no cristalino, costuma ser medida com o próprio ar da perfuratriz);
  • o aquífero captado está identificado;
  • há referência às amostras de calha guardadas.

4. Construção: tubos, filtros, pré-filtro e diâmetros

  • Material, diâmetro e profundidade de cada trecho de tubo liso e de filtro, com a abertura das ranhuras.
  • Pré-filtro: trecho preenchido e granulometria.
  • Reduções de diâmetro e centralizadores, quando houver, com as profundidades.
  • Diâmetro do tubo menor que o do furo em cada trecho. Tubo maior que o furo é erro de ficha ou de digitação.

5. Cimentação sanitária, laje e boca do poço

  • Trecho cimentado (de quantos a quantos metros) e como foi feito.
  • Dimensões da laje de proteção e altura do tubo de boca acima dela, com a tampa ou o lacre.

Espessura e profundidade da cimentação e altura da boca variam conforme a norma, o órgão e o projeto. Registre a medida real, nunca só “executada”, e confira o que o seu estado pede.

6. Desenvolvimento e limpeza

É a etapa que tira a lama e os finos do furo e do pré-filtro antes do teste. Registre o método usado (ar comprimido, pistoneamento, bombeamento ou outro), o tempo gasto e o aspecto da água no fim.

Poço mal desenvolvido costuma dar teste ruim e água turva. Sem esse registro, fica difícil explicar depois por que o poço perdeu vazão ou começou a trazer areia.

7. Desinfecção

Registre que o poço foi desinfetado, com o produto usado (por exemplo, hipoclorito), a dosagem e o tempo de contato. A água só deve ser liberada para consumo depois da análise.

8. Teste de produção e recuperação

  • Tipo de teste (vazão constante, escalonado), com a duração do bombeamento e da recuperação.
  • Nível estático antes de começar, método de medição da vazão e do nível.
  • Tabela de leituras no tempo: nível dinâmico, rebaixamento e vazão.
  • Se o nível estabilizou e quanto o poço recuperou depois de desligar a bomba.
  • Posição da bomba de teste.

A NBR 12244 trata do teste de produção, com duração e frequência das leituras. Leia o texto atual da norma e confira se o órgão do seu estado pede algo diferente.

Para o detalhe do teste, veja o guia sobre teste de bombeamento em poço artesiano.

9. Vazão de explotação e regime de bombeamento

Vazão de explotação é a vazão recomendada para o uso contínuo do poço. Informe o valor e como ele foi definido a partir do teste. Ela não é a maior vazão que a bomba conseguiu puxar no ensaio.

Junto dela vai o regime de bombeamento: quantas horas por dia o poço pode trabalhar nessa vazão. É o par que o pedido de outorga costuma trazer. Quem interpreta o teste e recomenda os dois é o responsável técnico.

10. Análise da água

  • Resultados da análise (físico-química e bacteriológica), com laboratório e data da coleta.
  • Se a água é para consumo humano, a conferência é feita com os padrões de potabilidade vigentes (Portaria GM/MS 888/2021).

11. Bomba instalada

Anote o modelo, a potência e a profundidade de instalação da bomba definitiva, quando houver, e a profundidade recomendada para ela. É a informação que a manutenção mais procura daqui a alguns anos.

12. Responsável técnico e ART

  • Nome, formação e registro profissional do responsável técnico.
  • Número da ART emitida no CREA.
  • Empresa de perfuração executora, com dados de contato.
  • Assinatura e data.

13. Anexos

  • Fichas de campo da perfuração e planilha de leituras do teste.
  • Laudo do laboratório da análise da água.
  • Fotos da obra: revestimento, cimentação, laje, teste e poço pronto.
  • Croqui ou mapa de acesso ao poço.

Poço de monitoramento é outro caso

Poço de monitoramento (piezômetro) serve para observar o nível ou a qualidade da água, não para captar.

Para aquíferos granulares, ele tem norma própria, a ABNT NBR 15495, e não deve receber as mesmas regras do poço de captação, como vazão recomendada e teste de produção.

Se a empresa constrói os dois tipos, mantenha modelos de relatório separados. Misturar os dois gera cobrança de item que não se aplica.

Erros que fazem o relatório voltar

  • Profundidade que não fecha: o perfil diz um valor, o teste cita outro e o contrato cobrou um terceiro.
  • Coordenada sem sistema de referência ou com o ponto fora do imóvel.
  • Teste sem tabela de leituras: só o resumo, sem o dado que permite conferir.
  • Vazão recomendada igual à vazão máxima do teste, sem justificativa, ou sem o regime de horas por dia.
  • Desenvolvimento sem registro, e o teste feito com água ainda turva.
  • Análise da água sem data ou sem laboratório identificado.
  • Cimentação e laje sem medida, só com “executada”.
  • Faltar ART ou assinatura do responsável técnico.
  • Modelo de outro estado usado sem conferir.

Quem faz o quê

O sondador e o ajudante registram em campo: profundidades, tubos, filtros, pré-filtro, cimentação e leituras do teste. O escritório organiza os dados e confere se os números fecham.

O geólogo ou o responsável técnico descreve a litologia, interpreta o teste, define a vazão e o regime de bombeamento e assina com a ART. A empresa de perfuração que não tem geólogo no quadro deve combinar a parceria antes de furar.

Como não perder tempo montando o relatório

Boa parte do trabalho é juntar informação espalhada em caderno, planilha, grupo de WhatsApp e foto. Se a ficha de campo já pede os itens do checklist, o relatório sai quase pronto. Se não pede, alguém vai ligar para o sondador três semanas depois.

Há quem monte o relatório em planilha e CAD, e há quem use um sistema ou aplicativo que gera o PDF a partir da ficha. Os dois funcionam, desde que a coleta seja completa.

Para começar, baixe o modelo de perfil construtivo em Excel ou veja como montar o perfil construtivo e gerar o relatório em PDF.

Este guia é uma lista de conferência e não substitui a norma, o órgão do seu estado nem a orientação do responsável técnico.

Perguntas frequentes

O que é o relatório técnico construtivo de poço?

É o documento que registra como o poço foi construído e o que ele produz: localização, método de perfuração, perfil litológico, construção, desenvolvimento, teste, análise da água e responsável técnico com ART.

O que o relatório construtivo de poço tubular precisa ter?

Localização e coordenadas, método de perfuração, litologia com entradas de água e aquífero captado, tubos, filtros e pré-filtro, cimentação, laje e boca, desenvolvimento, desinfecção, teste de produção e recuperação, vazão recomendada e regime de bombeamento, análise da água, bomba, responsável técnico com ART e anexos.

O que o órgão de outorga costuma pedir?

Costuma pedir o relatório construtivo junto com o teste de bombeamento e a ART, mas documentos e modelos mudam de estado para estado. Confira com o órgão do seu estado antes de entregar.

Qual a diferença entre relatório construtivo e perfil construtivo?

O perfil é o desenho do poço, com litologia e construção. O relatório técnico é o documento completo: inclui o perfil, os testes, a análise da água e a assinatura do responsável técnico.

Quem assina o relatório técnico construtivo?

O responsável técnico, com ART emitida no CREA. Quem precisa assinar em cada caso é definido pelo órgão do seu estado e pelo contrato.

Poço de monitoramento usa o mesmo relatório?

Não. O poço de monitoramento em aquíferos granulares tem norma própria (ABNT NBR 15495) e não recebe as mesmas regras do poço de captação, como vazão recomendada e teste de produção.

A vazão de explotação é a maior vazão do teste?

Não necessariamente. A vazão de explotação é a recomendada para uso contínuo pelo responsável técnico, a partir da interpretação do teste, junto com as horas de bombeamento por dia. Pode ser menor que a máxima que a bomba conseguiu puxar.

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